Pandemia: sobe 277% a média mensal de mortes de jornalistas em 2021

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Pandemia: sobe 277% a média mensal de mortes de jornalistas em 2021


O presidente da Abert, Flávio Lara Rezende e o presidente da Aerp, Caique Agustini avaliam as pesquisas publicadas pela Fenaj e Dieese. 

Por Fernanda Nardo.


A pandemia afetou a forma de trabalho e das relações na sociedade. O trabalho da imprensa foi considerado essencial por causa da pandemia, e isso obrigou os profissionais dos veículos de comunicação, principalmente os jornalistas, a trabalharem normalmente, até mesmo para levar à população informações precisas sobre a covid, diferentemente de outros setores que seguiram em home office.

Com isso, foi registrado no primeiro semestre de 2021, o óbito de 155 jornalistas por covid-19 no país, o que representa um aumento de 277% na média mensal de mortes no comparativo com o ano de 2020, quando foram registradas 80 óbitos pela doença, segundo levantamento da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). 

O presidente da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Flávio Lara Rezende, comentou os resultados da pesquisa, destacando a importância dos jornalistas no processo de levar à população informações precisas neste momento de pandemia.

“A Abert aconselhou que se adotassem todos os procedimentos necessários para evitar a transmissão da doença. Mas isso é muito difícil, já que os profissionais precisam estar nas ruas, e apesar dos cuidados, nós tivemos esse aumento de mortes de jornalistas que lamentamos profundamente. Precisamos destacar o trabalho fundamental que a imprensa vem fazendo para informar de forma correta e isenta sobre o que acontece no Brasil e no mundo, neste momento tão difícil”, afirma.  

Rezende ressalta a importância da liberdade de imprensa em uma democracia para toda a sociedade, inclusive, durante a pandemia. “Nós só teremos uma imprensa livre, se tivermos esses profissionais informando de forma isenta, derrubando as fake news que surgem todos os dias. A sociedade precisa ver que ela faz parte dessa vigilância e dessa proteção à democracia. Não há democracia que sobreviva sem a liberdade de expressão e de imprensa, e são esses profissionais que dão vida a essa isenção e liberdade”, diz. 

O presidente da Aerp, Caique Agustini, corrobora. “A população tem o direito constitucional de acesso à informação. O rádio e a televisão oferecem isto de forma gratuita com qualidade. É nosso papel como radiodifusores garantir a liberdade do trabalho de nossas equipes de jornalismo e também que trabalhem com segurança”, afirmou.  

Além da pesquisa da Fenaj, os números do Boletim Emprego em Pauta, elaborado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) também apresentam dados preocupantes relacionados aos profissionais do setor de informação e comunicação. Conforme a pesquisa, o número de contratos de trabalho extintos por morte do trabalhador que inclui os jornalistas cresceu 129% nos primeiros quatro meses de 2021 (de 293 para 672), na comparação com o mesmo período de 2020. 

Com este aumento, o setor de comunicação e informação é o terceiro com maior número de desligamentos por causa de óbito, abaixo apenas da área de educação (1.479) e da administração pública, defesa e seguridade social (794).

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